É impressionante o desvio comportamental inconsciente (ou
talvez consciente) sobre o entendimento de felicidade, ética, legalidade, bem
ou mal diante das facilidades expostas no
mundo das comunidades virtuais.
Tente navegar por quaisquer ambientes onde pessoas interajam
virtualmente e analise os comportamentos - ora politicamente corretos e
complacentes, ora cheios de ira e arrogância. Perceba a quantidade em que
frases com sujeito oculto são pronunciadas... “Precisamos lutar...”, “Tem-se
que investir...”, “Vamos conceder...”, ao final fica-se a pergunta : - QUEM ?
Quem vai lutar? Investir? Conceder? Julgar?
Somos uma sociedade onde o agente ativo é o sujeito oculto,
onde as responsabilidades apontadas referem-se a outrem do que o “orador” ativo
na interlocução. Grandes críticas e nenhuma atividade real, ou ações
participativas que atuem na mudança. Isto caracteriza um comportamento
puramente “incendiário” social nacionalmente. Na verdade a palavra é usada com
isqueiro moral e segue-se com apoio de centenas de insufladores protegidos pela
parede virtual, confortavelmente existente na frente de um computador.
Até aonde cada um de nós efetivamente fez algo para mudar o
rumo social? Principalmente a geração, covardemente criada durante os mais de
20 anos ditatoriais ? Uma geração que nunca exercitou democraticamente
reivindicar, protestar, contestar. Uma geração tecnicamente do medo.
A geração crescida na “linha-dura”, não aprendeu a forma
civilizada de reivindicar e exigir seus direitos sabendo o que é um modo
democrático e nem mesmo souberam transmitir aos descendentes (não se transmite
o que não se sabe), portanto, somos inábeis em identificar responsabilidades ou
mesmo cobra-las de forma efetiva, seja de autoridades ou de ”semelhantes. Ficamos todos como aves vigiadas
por raposas, raposas estas que se fizeram dentro de uma imagem vitimada de um
período ditatorial, ditadores que também não aprenderam a governar, respeitar e
achar o sujeito direto ou indireto das ações necessárias, e assim sendo estamos
todos reféns de um sujeito oculto social.
Precisa-se entender... e agir.

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